quarta-feira, 19 de setembro de 2012

A VIDA E O MAR


Caminhando à beira-mar, talvez conversando com este, buscava, numa atividade pueril um presente que lembrasse aquele momento.
Praias e conchas têm tudo em comum. Tanto que nas conchas fica guardado o som do mar. Sem elas, este ficaria mudo.
No local onde estava, o dia nascendo, o mar de um azul profundo, tingindo-se de ouro ao nascer do sol. A areia intocada naquela manhã ficava por alguns segundos com a impressão de meus pés. Minha alma, com uma lição gravada para sempre.
Não havia conchas na praia. Vez ou outra, o mar mostrava uma, que era logo carregada pelas águas que retornavam. Neste momento, deu-me um presente: contou-me um segredo.
O mar dá mostras de seus presentes e os leva de volta com as ondas, assim como a vida nos mostra pequenas (ou grandes) que vem e que vão.
Quem fica à beira-mar, como eu, não pega grandes conchas. Encontra uma ou outra, pequenina. Se distrair os olhos com a paisagem, parece que não há nenhuma. Mas as que encontrei são lindas! E quanto mais me fixava, mais o mar ia presenteando.
Quando buscava uma concha que avistava mais ao longe e corria para pegar, sempre uma onda a carregava e escondia, como a dizer: “Esta não é para ti agora. Vigia e concentra, não percebeste as que estão a teus pés.”
As pequenas felicidades (ou grandes) que temos nesta vida são uma amostra do que um dia iremos viver. Assim como o mar convida os caminheiros ao mergulho, a vida nos convida ao aprofundamento.
Quem não busca a felicidade, ou quem se distrai com as belezas efêmeras, dificilmente a encontra. Muitas vezes só a reconhecemos quando, como o caminheiro distraído, ferimos nossos pés com uma concha. Às vezes somente a dor nos faz perceber a felicidade.
Retornei com algumas conchas e uma ânsia de profundidade. Não de mergulhos no mar, mas da sabedoria que nos faz realmente aproveitar a vida, evoluindo. As conchas? Trouxe-as comigo, feliz com cada uma das pequeninas.
Aprendi com o mar que, no fim, não é o tamanho da concha que importa, é a busca. Mas se não valorizamos os pequenos presentes que a vida nos dá, esta perde o sentido. Nascemos para ser felizes e mergulhar. Se só somos felizes, ou se somente mergulhamos, estamos vivendo pela metade.

Um comentário:

Deivis Menezes disse...

Muito bem. O texto “A VIDA E O MAR” me faz lembrar as minhas memórias de infância, que saudade... ao invés do mar, das ondas conversando com a areia e brincando com as conchas, meu cenário era no interior, onde cresci, lá ia todos os dias brincar na beira das sangas, que tinham em nossa propriedade e, minha principal alegria, era juntar as pedrinhas coloridas que a água presenteava na areia. Ainda as guardo, em uma caixa, até hoje. Entendi somente agora, professor Pedro, através desse texto, que a importância de ter ido todos os dias juntar minhas pedrinhas coloridas está em ter apreendido a dar valor a tudo o que Deus nos dá, pois são os pequenos detalhes que dão sentido à vida. Prof° Deivis Helfenstein de Menezes