terça-feira, 4 de novembro de 2008

Idéias de adolescente

Adoro conversar com adolescentes. É uma experiência muito interessante. Há quem diga que são superficiais, enfadonhos, inconstantes, mas discordo destas opiniões. Há momentos em que os adolescentes conseguem viver e sentir a vida de uma maneira mais profunda do que qualquer adulto poderia fazer.

Hoje, em uma conversa destas, surgiu o assunto do “ficar”. Uma menina disse que cansou de “correr atrás”, referindo-se ao fato de pensar que, se a primeira vez foi boa, as próximas deveriam ser melhores ainda (entenda-se aqui ficar como abraçar e beijar, nada mais). Num momento de inspiração, proferi um clichê: “Ser feliz é como segurar um punhado de areia. Se você tenta apertar a mão, a areia escapa por entre os dedos.”

Creio que a felicidade é realmente assim. Se tentarmos segurar algo ou alguém, acabamos sufocando nosso objeto de desejo e, não raramente, perdendo-o. Nas relações humanas, creio que essa regra é mais geral ainda.

Discutir a existência ou não da felicidade e as formas de alcançá-la é uma questão teórica e complexa, talvez filosófica. Creio que o principal é procurar aproveitar os momentos felizes, sem ser inconseqüente, mas dando-nos o direito de aproveitar cada uma das pequenas vitórias de nosso cotidiano.

Permanece o exemplo da areia. É preciso manter a mão aberta.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Outra do Joãozinho


Joãozinho nunca foi “bom de bola”. Duas ou três vezes entrou no time da escola porque faltava alguém para completar, mas jogar mesmo, de verdade... Ah, isso não era com ele. Faltava-lhe a garra, a persistência, a vontade de crescer no esporte. Mas isso não faz do Joãozinho uma pessoa má. Ele apenas não foi talhado para o esporte.


Acontece que os amigos do Joãozinho sempre quiseram jogar e não conseguiam vaga no time. O treinador, pai de um aluno da escola, sempre escolhia os mesmos, e os meninos reclamavam muito. Joãozinho então achou que era hora de fazer alguma coisa. Foi ao diretor da escola e argumentou que aquela maneira de escolher o time não era correta, que era necessário fazer uma avaliação séria das capacidades de cada um. Falou em justiça e em ética, entre tantos outros argumentos.


A argumentação do Joãozinho foi tão convincente que o diretor, impressionado com o discurso, resolveu acatar o pedido. E não só isso... Resolveu trocar o treinador do time. Joãozinho, satisfeito, foi orgulhoso para casa, com vontade de ligar para os amigos e contar a novidade. Mais feliz ainda ficou quando seu pai foi escolhido para ser o treinador. Agora sim, seus amigos teriam chances!


Mas o pai dele resolveu levar a sério a história de avaliação. Chamou mais alguns pais e passou a fazer uma série de testes com a meninada da escola. Os amigos procuravam Joãozinho para pedir uma chance, mas, no fundo, ele sabia que seus amigos não passariam na tal avaliação. Então voltou ao diretor e pediu que reconsiderasse seu pedido, que a situação tinha mudado, que talvez não fosse necessário tamanho rigor na escolha do time... Mas não houve argumentos convincentes desta vez.

Joãozinho começou a aprender que ética e justiça não dependem da situação, nem mudam ao sabor dos acontecimentos passageiros. Ele não está muito conformado, mas vai ter que viver com essa nova lição. Isso é crescer!