quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Estados contra o aumento salarial dos professores

Em última análise é isso. Li no correio do povo, do dia 30/10/2008, que “Seis estados ajuizaram ontem, no Supremo Tribunal Federal (STF) Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) contra a transformação do Piso Nacional do Magistério em salário inicial. Os governadores de RS, SC PR, MS, CE e RR argumentaram que o projeto de lei do Piso, na forma como está, rompe a regra federativa e tira dos estados a autonomia para contratações de professores.”

A Lei contra a qual os seis estados entram com Adin é a LEI Nº 11.738, DE 16 DE JULHO DE 2008. Essa lei prevê piso mínimo de R$ 950,00 para uma jornada de trabalho de 40h semanais, e piso proporcional para jornadas menores. A mesma lei prevê que “Na composição da jornada de trabalho, observar-se-á o limite máximo de 2/3 (dois terços) da carga horária para o desempenho das atividades de interação com os educandos.” Também isso é questionado pelos governadores dos estados acima citados. Yeda é contrária a esse parágrafo da lei e justifica que “seriam necessários mais 27 mil docentes”.

Então me questiono: Qual o real valor do professor para determinadas pessoas? Divida esse valor do piso salarial (R$ 950,00) por 30 dias de trabalho e o resultado por 8 horas diárias... Qual o valor encontrado? R$ 3,95! Um professor não merece ganhar esse valor por hora de trabalho quando entra no quadro de carreira do magistério?

Quanto ganha por hora um(a) governador(a)? É interessante fazer a proporção. Enquanto é necessário negociar por meses um aumento para professores, os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário têm freqüentemente aumentos consideráveis.

O interessante, e mais trágico, é que estes governadores lutam contra um piso que, em caso de o estado não conseguir pagar, será bancado pelo governo federal! Assim se vê o quanto a Educação é preocupação de alguns governos... Espero que em 2010, ao ouvir falar em incentivo aos professores, nos lembremos de quem acha demais professores começarem a trabalhar recebendo R$ 3,95 por hora!

3 comentários:

déda disse...

Como admiradora e entusiasmada pela área magisterial, não poderia deixar passar o seguinte texto:

"Estudar pra quê?"

Há alguns anos, numa escola estadual da periferia de Mauá, na Grande São Paulo, um adolescente de 6ª série noturna, durante uma "bronca", saiu-se com essa:

_ Ora, pra que é que eu quero aprender? Eu só quero "tirar" a 8ª série e trabalhar na Volks com o meu pai. Vou ganhar três vezes o seu salário.

Sem respirar, ele emendou em sua indignação uma pergunta provocativa:

_ Quer que eu estude pra quê? Pra ser professor?!

Respondi:
_ Não. Eu quero que você estude para trabalhar na Volks e ser o chefe de quem só tem a 8ª série!

Braga (2005, p. 19).

Sabe professor... A valorização e paixão pela carreira, com certeza são poucos que detém... Pena q não há como fazer uma "triagem" merecedora... Valorizo a classe, porém os aplausos e méritos são para poucos também!!!

Prof. Pedro Rangel disse...

Déda, acredito que você esteja certa. Realmente, se houvesse uma maneira de fazer uma triagem justa, muitas pessoas seriam excluídas. Penso que se houvesse uma maior preocupação com a educação, talvez fosse possível ser feita uma reciclagem com muitos profissionais, que estão desgastados, cansados, mas que têm um grande potencial.
Em muitos casos o desânimo, o descaso vem da própria falta de perspectivas. É lamentável, mas é um fato. Grande abraço e obrigado por ser uma leitora assídua e participante! Abaços.

Prof. Pedro Rangel disse...

* Abraços